quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Felicidade Clandestina

O meu contato com a leitura do texto de Clarice lispector, foi...bem, iniciei a leitura em casa, em cima da mesa iluminada pela minha nova luminária...rsrsrs.Logo no início do texto, ou melhor, logo no primeiro parágrafo, eu li duas vezes, por que adorei a descrição da gorota.

Meu interesse continuou, mesmo percebendo algumas dificuldades de compreensão, (ou seja, mesmo não entendendo continuei lendo).

Tive muita dificuldade de atenção, eu voltava algumas vezes até compreender, os momentos em que eu não compreendia, era porque pensava em comer bobagens e até pequenas preocupações, mas enfim.

Percebi que ao ler o texto sentia uma curiosidade e vontade de chegar no final, então resolvi dar passagem a essa curiosidae e fui lendo rapidamente até chegar onde eu queria.

Fiquei mais tranquila e assim pude retomar a leitura com mais atenção.

Fragmentos de minha memória

Da escola

Primário. como era chamado o ensino fundamental atualmente.Fui matriculada aos 7 anos em 1989 na E.E.de 1 e 2 grau Celso Leite, na região do centro de São Paulo.

Recordo-me do exato momento em que cheguei à escola, meu coração disparou, minhas mãos apertavam as da minha mãe, a fila estava se formando, e continuava ao lado de dela até que todos subiram para a sala, minha mãe me levou até a secretaria e disse que precisava me deixar pois estava atrasada para seu trabalho.

Ela me deixou com uma mulher que ma levou até a sala de aula, entrando sentei-me imediatamente com vergonha dos meus olhos lacrimejados.

Continuei por alguns dias sem querer voltar, mas fui ficando cada vez mais confiante , gostava de encontrar minha turma .Mas ainda hoje, tenho uma sensação de que essa entrada na escola foi uma espécie de parto forçado, a fórceps.


Da leitura

Leitura em sala de aula era uma coisa que eu gostava bastante, acho que porque era algo que fazíamos coletivamente dentro da sala, adorava falar em voz alta o abcedário, aliás foi uma espécie de paixão que tive com o abc, esperar minha mãe chegar na escola para me buscar se tornou algo mais tranqüilo, pois, ficava repetindo baixinho até sua chegada, na hora de dormir lá estava eu, contando o abc e não carneirinho.

Um outro momento prazeiroso com “ele” eram os finais de semana, brincávamos de pular corda cantando o abc a letra em que parava era correspondente ao nome do meu futuro namorado.

Acho que foi assim que me entusiasmei a juntar as primeiras palavras.Não me lembro quando e como comecei a ler, mas, minha mãe me contou que estávamos passeando no centro de São Paulo, até que concentradamente consegui ler e pronunciar a palavra "Mappin" para minha mãe, era o nome de um antigo magazine.

Acho que desde então virei uma colecionadora de palavras, pena que durou pouco, pois no ginásio tive muitas dificuldades de leitura, achava que lia muito mau e por tanto, me recusava a ler e principalmente em voz alta.Fui cada vez mais me desinteresando da leitura e conseguentemente da escrita.


Da escrita

Hoje em 2008, estou me reconciliando tanto com a escrita como com a leitura.

Mas o meu maior problema com a escrita é a lentidão, a falta de ferramenta e a organização. Nunca sei por onde começar a escrever. As vezes estou empolgada mas a ação não corresponde ao fluxo de pensamento, surgem muitas idéias, fico ansiosa, e acabo cansando e... desistindo.

Lembro–me das aulas de Ditado, a professora falava uma palavra de cada vez e tínhamos que escrever, eu escrevia devagar, e sentia vergonha de falar para professora que não tinha terminado, ela dava continuidade, e eu perdia a maioria das palavras, isso aconteceu algumas vezes, acho que eu não fazia muita questão de participar, talvez seja pof isso que sentava no fundo da sala e assim fui perdendo cada vez mais o interesse em escrever.

Claro que hoje é diferente ou melhor, nem tanto, eu acabei de ver que escrevi muito e estou ficando com preguiça de continuar, mas uma coisa que não quero deixar de escrever aqui é um pensamento que me surgiu enquanto estava escrevendo, pois como meu contato foi frustrante para alguém que só estava começando, pensei que deve haver uma forma de RE APRENDER a escrever, e como posso começar?

Talvez esteja usando essa palavra re-aprender porque em algum momento eu aprendi a escrever e esqueci.


Como uma grande amor que se tem na juventude e com o passar do tempo esquece.